Glicemia pós-prandial no diabetes mellitus do tipo 2

O Diabetes mellitus (DM) é uma síndrome de etiologia múltipla, decorrente da falta de insulina e /o da incapacidade da insulina de exercer adequadamente seus efeitos.

Caracteriza-se por hiperglicemia crônica com distúrbio do metabolismo dos carboidratos, lipídios e proteínas.

As conseqüências do DM a longo prazo incluem danos, disfunção e falência de vários órgãos, especialmente rins, olhos, nervos, coração e vasos sanguíneos.

Com freqüência os sintomas clássicos (perda inexplicada de peso, polidipsia e poliúria) estão ausentes, porém poderá existir hiperglicemia de grau suficiente para causar alterações funcionais ou patológicas, por um longo período, antes que o diagnóstico seja estabelecido.

Antes do aparecimento de hiperglicemia mantida, acompanhada do quadro clínico clássico do DM, a síndrome diabética diabética passa por um estágio de distúrbio do metabolismo da glicose, caracterizado por valores glicê-micos situados entre a normalidade e a faixa diabética. O diabetes mellitus do tipo 2 resulta, em geral, de graus variáveis de resistência à insulina e deficiência relativa de secreção de insulina. A maioria dos pacientes tem excesso de peso e a cetoacidose ocorre apenas em situações especiais.

Os procedimentos de diagnóstico laboratorial empregados são a medida da glicose no soro ou plasma após jejum de 8 a 12 horas e o teste padro-nizado de tolerância à glicose anidra por via oral, com medidas de glicose no soro ou plasma nos tempos 0 e 120min após a ingestão.



Riscos de complicações cardiovasculares



A doença cardiovascular é a principal responsável pela redução da sobrevida de pessoas com DM , sendo a causa mais freqüente de mortalidade.

O aumento de riscos de complicações cardiovasculares dos pacientes diabéticos do tipo 2 está relacionada ao estado diabético per se e à agregação de vários fatores de risco cardiovasculares, como obesidade, hipertensão arterial (HÁ) e dislipidemia entre outros.

Estudos recentes demonstraram que a doação de diversas medidas dirigidas a vários fatores de risco cardiovascular reduziu significativamente a evolução de complicações microangiopáticas.

Dentre essas medidas, destacou-se o controle rigoroso da hiperglicemia e da hipertensão arterial que eram capaz de reduzir as complicações do DM e a mortalidade de acordo com um estudo inglês (UKPDS).

Estudos também mostraram uma forte correlação entre a incidência de eventos cardio-vasculares e os níveis de glicose pós-prandial.



Importância da medição da glicemia pós-prandial



Em indivíduos normais, após a ingestão de uma refeição, ocorre um rápido aumento da secreção de insulina, atingindo valores máximos após 60 min, sendo que depois de cerca de 2 h, a glicemia fica a níveis < 140 mg/dl.

Já indivíduos com DM tipo 2 apresentam uma atenuação e atraso da primeira resposta de secreção de insulina, com conseqüente aumento da glicemia pós-prandial.

A hiperglicemia pós-prandial (HPP) contribui para o aumento da hemoglobina glicosilada (Hb-glic), que é fortemente correlacionada com a incidência de micro e macroangiopatia no DM do tipo 2.

Estudos mostram que a HPP, especialmente 2 h após uma refeição, está associada a altos níveis de Hb-glic no DM2, com glicemia de jejum normal ou levemente aumentada.

Dessa forma, em pacientes com diabetes mellitus do tipo 2, a medição da hemoglobina glicosilada (Hb-glic) é de extrema importância no controle sanguíneo de glicose.

Recomenda-se, portando, que a glicemia pós-prandial nas pessoas com diabetes do tipo 2 não ultrapasse 180 mg/dL.

Apesar de não constituir critério diagnóstico para a doença, essa medida pode ser útil para avaliar o risco de haver complicações macroangiopáticas relacionadas ao diabetes, auxiliando substancialmente na instituição de uma terapêutica adicional para o controle de HPP.

Análogos da insulina de ação rápida têm sido utilizados com maior eficiência nos níveis de glicose pós-prandial, em casos de diabetes mellitus do tipo 2, pois atuam rapidamente para suprimir a liberação de glicose hepática.



Qual a melhor conduta?



Os pacientes portadores de DM do tipo 2 devem ser avaliados periodicamente, quanto a medidas de peso, PA, glicose plasmática, hemoglobina glicosilada (Hb glic) e perfil lipídico. Os valores de glicemia devem estar próximos do normal.

São aceitáveis valores de glicose plasmática em jejum até 126 mg/dl e de 2h pós-prandial até 180 mg/dl e níveis de hemoglobina glicosilada (Hb-glic) até um ponto percentual acima do limite superior do método utilizado.

Acima deste valores, é sempre necessário realizar intervenção para melhorar o controle metabólico.



Referências bibliográficas

1. Panzram G. Mortality and survival in type 2 (non-insulin-dependent) diabetes mellitus. Diabetologia 30: 123-131,1987.

2. UK Prospective Diabetes Study Group. Tight blood pressure control and risk of macrovascular and microvascular complications in type 2 diabetes: UKPDS 38. BMJ 317: 703-12, 1998.

3. Lehto S, Ronnemaa T, Haffner SM, Pyorala, Kallio V, Laakso M. Dyslipidemia and hyperglycemia predict coronary heart disease events in middle-aged patients with NIDDM. Diabetes, 46: 1354-1359, 1997.

4. World Health Organization. Definition, Diagnosis and Classification of Diabetes Mellitus and its Complications. Report of a WHO Consulation. Part 1: Diagnosis and Classification of Diabetes Mellitus. 1999.

 
  Anterior Volta