Por que as mulheres tem um menor risco de doença coronariana (DC) na pré-menopausa?
Nesse período, as mulheres são protegidas principalmente pela ação dos estrógenos sobre os níveis de lipídeos circulantes. No sexo feminino, níveis reduzidos da fração HDL do colesterol são um importante fator de risco para a DC.O estrógeno endógeno mantém uma relação HDL/LDL adequada (KDL elevado e LDL reduzido), mas essa ação é menos pronunciada após a menopausa.O tabagismo também está associado a um maior risco de DC, tanto em homens como em mulheres. O consumo de 1-4 cigarros por dia aumenta em 2 vezes o risco de DC; um número superior a 20 cigarros por dia está associado a um risco 4 e 5 vezes maior de DC.Outros fatores de risco estabelecidos incluem a hipercolesterolemia, hipertensão, obesidade, sedentarismo e diabete.Por motivos pouco compreendidos, o diabetes parece ser um fator de risco mais relevante em mulheres que em homens.
Vale lembrar que não parece existir associação entre DC e hipertensão relacionada à gravidez ou pré-eclâmpsia.
Que medida podem ser tomadas para evitar a DC?
As medidas para prevenir a DC podem ser encontradas na tabela ao lado. Fatores ambientais e mudanças no estilo de vida são importantes.Em 1987, um estudo demonstrou uma redução de 60-75% no risco de DC em mulheres que praticavam caminhada regularmente, achando que foi confirmando por outros estudos.Entre os homens, uma redução de 1% na taxa de colesterol está associada a uma diminuição no risco de DC em 2-3%.Estudos recentes apontaram achados semelhantes no sexo feminino. A ingestão de baixas doses de aspirina também reduz o risco de infarto do miocárdio em cerca de 25% em ambos os sexos.O consumo moderado de álcool (10-15 g/dia, equivalente a 1 lata de cerveja, 1 copo de vinho ou 1 dose de bebida destilada) está relacionado a uma redução em cerca de 30-70% no risco de DC.Não se conhece a explicação para esse achado, que pode estar associado a uma elevação dos níveis de HDL, alteração na produção de prostanóides que favorecem a síntese das prostaciclinas (PG12), e/ou uma redução na agregação plaquetária.Entretanto, os efeitos deletérios do álcool (hepatotoxicidade, maior risco de câncer de mama e hipertensão, dentre outras doenças) são maiores que os benefícios e o álcool não deve ser recomendado como método terapêutico.Até o presente, não existem evidências claras de que o uso de progesterona reduz o risco de DC. No entanto, demonstrou-se que alguns progestágenos (particularmente os progentágenos-C21 androgênicos) reduzem significativamente os níveis de LDL.
| Prevenção | Dose/Administração | Eficácia |
| * Fatores ambientais |
| parar de fumar | - | eficaz |
| prática moderada de atividade física | - | eficaz |
| controle da pressão arterial | - | eficaz |
| controle do peso | - | eficaz |
| * Tratamento famacológico |
| aspirina | 81-325 mg/dia VO | eficaz |
| consumo moderado de álcool | 10-15 g/dia VO | eficaz |
| progesterona | variável | possivelmente eficaz |
| inibidores da HMG-CoA redutase | variável | eficaz |
| niacina | 1-2 g 3x/dia VO | possivelmente eficaz |
| quelantes de ácidos biliares | variável | possivelmente eficaz |
| * Drogas Naturais |
| vitaminas antioxidantes (vitamina E, C, B-caroteno) | variável | Não há dados clínicos |