Doenças sexualmente transmissíveis (DST) - Uma abordagem contemporânea para controlar as doenças sexualmente transmissíveis (DST)
A infecção por Chlamydia trachomatis e a gonorréia têm sido identificados como as causas mais comuns de doença inflamatória pélvica (DIP).
As conseqüências de uma infecção genital não tratada podem ser devastadoras e especialistas recomendam exames de rotina uma vez por ano para mulheres sexualmente ativas abaixo dos 20 anos. Eles também recomendam exames para mulheres entre 20 e 24 anos que utilizam contraceptivos de barreira ocasionalmente as que tiverem um parceiro sexual nos últimos três meses, mulheres acima dos 24 anos que se encontram nestes dois critérios e qualquer mulher com corrimento vaginal. Um estudo recente determinou que a incidência de DIP foi reduzida a mais da metade quando mulheres de alto risco foram identificadas, testadas e se necessário, tratadas. A retração das trompas de Falópio associada à DIP é uma importante causa da dor pélvica crônica, gravides ectópica e infertilidade. Infecções por algumas variedades de HPV que causam verrugas genitais, constituem o principal fator de risco para lesões escamosas intraepiteliais do colo de útero e carcinoma cervical invasivo.
Quando adquirida durante a gravidez, a sífilis pode ser transmitida através da placenta para o feto em desenvolvimento, enquanto a gonorréia pré-tal pode induzir parto prematuro ou infecções oculares com risco de perda de visão. A chlamydia pode também causar infecção ocular no recém nascido, tanto quanto qualquer pneumonia neonatal por herpes pode trazer um risco de deficiência permanente no SCN. A vaginose bacteriana, algumas vezes considerada pouco mais do que um incômodo, também provou ser um substancial problema de saúde pública (apesar da vaginose bacteriana não ser especificamente categorizada como uma DST, ela já foi ligada a ocorrência de muitos parceiros sexuais). A condição ocorre quando componentes normais da flora vaginal, incluindo bactérias anaeróbias e Gardnerella vaginalis sobrepõem em número as normalmente predominantes espécies Lactobacillus.
Importância clínica
Apesar da chlamydia ser extremamente comum entre adolescentes e adultos jovens, sua incidência decresce com o aumento da idade. Recomenda-se exames, de qualquer modo, para pacientes sintomáticos ou não, que entraram em um novo relacionamento, os que tem múltiplos parceiros, ou os receosos de que seus parceiros os tenham infectado.
Tanto chlamydia como gonorréia estão mais fáceis de diagnosticar do que nunca, graças às recentes e difundidas possibilidades dos testes de DNA.
Anteriormente, o teste mais confiável capaz de identificar chlamydia era a cultura de células, que tem acuidade de 80% a 90% no máximo. A gonorréia tem sido tradicionalmente detectada com cultura de bactérias. Enquanto as culturas serviram como chamado " padrão ouro", elas são tecnicamente complicadas e demoradas. O transporte de amostras laboratoriais requer meios especiais de transporte e temperaturas específicas de estocagem.
A reação de cadeia polimerase (PCR), usada para detectar a presença de C. trachomates, e a reação de ligase em cadeia (LCR), utilizadas para diagnosticar gonorréia e chlamydia, são mais precisas, com sensibilidade de 90% ou mais. Estas tecnologias permitem identificar as seqüências de DNA presentes no organismo. Os testes são complicados e mais caros do que os outros usualmente utilizados, mas produzem resultados em horas ao invés de dias. Eles também são bem específicos. Testes de PCR podem ser coletados sem a introdução de swabs ou escovas no canal endocrinal ou na uretra.
Estudos imunodiagnósticos, tais como métodos enzimáticos ou imunofluorescência se mostraram úteis na detecção da C. trachomatis. Estes são menos sensíveis que as culturas de células, porém, mais rápidos, menos caros, e demandam menos tecnologia.
Micróbios responsáveis nas DSTs (Doenças sexualmente transmissíveis)
| Doença | Organismo causador | Métodos laboratoriais de identificação |
| Vaginose Bacteriana | Super crescimento de microorganismos anaeróbicos, Gardnerella vaginales e Mycoplasma bominis | Exame microscópico, teste de pH da secreção vaginal, e teste de hidróxido de potássio. |
| Cranco mole | Haemophilis ducreyi | Cultura; teste negativo para HVS e sífilis |
| Chlamydia (infecções genitais) | Chlamydia trachomatis | Cultura; estudos imunodiagnósticos, incluindo EIA e DFTA; RLC; detecção de ácido nucléico não amplificado; PCR |
| Infecção genital por herpes vírus simple (HVS) | HVS-1 e mais, HVS-2 | Cultura; DFTA |
| Gonorréia | Neisseria gonorrhoea | Cultura, coloração de Gram para homens sintomáticos; RLC; detecção de ácido nucléico não amplificado |
| Infecção papilovirus humano (HPV) | HPV | Esfregaço de Papanicolau – presença de HPV sugerido por anormalidades; RPC usado em pesquisas. |
| Uretrite não gonocócica | C. trachomatis, Ureoplasma urealycum, Trichomonas vaginais, e ocasionalmente, HVS | Exame microscópico de secreção uretral; outros teste para organismos relevantes, como chlamydia |
| Sífilis | Treponema pallidum | Microscopia de campo escuro e DFTA exsudato da lesão ou tecido para detecção direta; testes sorológicos não treponemais (RPR, VDRL); testes sorológicos específicos (FTA-ABS, MHA-TP) |
| Tricomoníase | T. vaginalis | Cultura; exame microscópico e teste de pH da secreção vaginal |
| Chaves: DFTA – Teste de imunofluorescência direta de anticorpos; EIA – imunoensaio de enzimas; FTA-ABS – Absorção de anticorpo antireponema fluorescente; RLC-Reação de ligação em cadeia; MHA-TP – Microhemaglutinação- Teste de Treponema pallidum; PCR – reação de polimerase em cadeia; RPR – Reação de plasma rápida. |