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Anemia Falsiforme na população de Paracatu // ::
Percentual dos tipos de Hemoglobina na amostra

TABELA 1 – TIPOS DE HEMOGLOBINAS ENCONTRADAS NA AMOSTRA

HEMOGLOBINAFREQÜÊNCIA
AA70
AA-H14
AS06
AS-F02
AA203
CA01
SC02
SS02

GRÁFICO 1 – PERCENTUAL DOS TIPOS DE HEMOGLOBINAS DA AMOSTRA

O gráfico 1 demonstra que 70% da amostra apresentou hemoglobina normal. O traço falciforme (AS) apareceu em 6% dos sujeitos analisados. A doença falciforme (SS) se verificou em 2% da amostra.

Estimativa do Número de Habitantes com Anemia Falciforme e Traço Falciforme na População de Paracatu/MG

Segundo o CENSO/2000 a população residente de Paracatu/MG era de 75.184 habitantes. A partir desta informação elaborou-se uma estimativa baseada nos dados obtidos na amostra estudada. Utilizou-se uma margem de erro de 5%, portanto os números obtidos e apresentados na tabela 2 e gráfico 2 são uma aproximação da realidade.

TABELA 2 – DISTRIBUIÇÃO DOS TIPOS DE HEMOGLOBINA POR NÚMERO DE HABITANTES DA CIDADE DE PARACATU/MG

HEMOGLOBINAFREQÜÊNCIA (%)
AMOSTRA
POPULAÇÃO
(Nº HABITANTES)
AA7052629
AA-H1410526
AS0604511
AS-F0201504
AA20302256
CA0100752
SC0201504
SS0201504

Referenciando-se na tabela 2 estima-se que aproximadamente 4511 habitantes da cidade de Paracatu sejam portadores do traço falciforme e, que 1504 habitantes manifestem a anemia falciforme, como pode ser melhor visualizado no gráfico 2 apresentado a seguir.

GRÁFICO 2 – ESTIMATIVA DO NÚMERO DE HABITANTES DE PARACATU/MG PORTADORES DO TRAÇO FALCIFORME OU COM A DOENÇA FALCIFORME

4.3.3 Quadro Comparativo da Freqüência da Doença no Brasil e na Amostra de Paracatu/MG

QUADRO 1 – COMPARATIVO ENTRE AS FREQÜÊNCIAS DA DOENÇA NA AMOSTRA (PARACATU/MG) E NO BRASIL

HEMOGLOBINAFREQÜÊNCIA (%)
AMOSTRA
FREQÜÊNCIA (%)
BRASIL
AA7093,00
AA-H143,50
AS062,10
CA010,50
SS020,01

GRÁFICO 3 - DISTRIBUIÇÃO DAS FREQÜÊNCIAS DA DOENÇA NO BRASIL E NA AMOSTRA (PARACATU/MG)


A análise comparativa da freqüência da doença entre a amostra estudada e o Brasil demonstrou que a cidade de Paracatu/MG tende a apresentar uma freqüência relativamente maior do traço falciforme (6%) e anemia falciforme (2%), em relação à freqüência nacional de 2,10% e 0,01%, respectivamente.

Este resultado ratifica a tendência indicada na literatura consultada de uma maior expressividade da doença falciforme em regiões onde houve uma forte miscigenação entre brancos e negros como é o caso da cidade de Paracatu.

Diante do conhecimento da maior probabilidade da ocorrência da doença ou traço falciforme na cidade de Paracatu/MG é recomendável a adoção de medidas preventivas tais como: o desenvolvimento de programas de aconselhamento genético; diagnóstico pré-natal; atividades assistenciais e informativas aos portadores da doença e familiares; realização de testes preventivos para detectar falcemias e talassemias em crianças e gestantes; padronização de diagnósticos e tratamentos e o investimento na formação de profissionais para o atendimento desta população.

CONCLUSÃO

A anemia falciforme é uma doença que pertence à família das hemoglobinopatias, sendo uma doença genética caracterizada pela substituição do Ácido Glutâmico pela Valina na posição seis da cadeia beta da hemoglobina.

A doença originou-se provavelmente no continente africano sendo considerada responsável pela proteção dos habitantes daquela região contra a malária. As hemoglobinas originárias da África são a Hb S e a Hb C, são largamente encontradas no Brasil.

Estima-se que em virtude da grande atividade miscigenatóra da população brasileira houve maior facilidade da doença se propagar no país, sendo que os estados que apresentam a maior freqüência são: Minas Gerais, Rio de Janeiro e a região litorânea do Nordeste.

A doença caracteriza-se principalmente pela falcização das hemácias que passam a apresentar uma drástica alteração deixando de ser discóides e adquirindo a forma de foice. Os portadores da anemia falciforme apresentam uma baixa produtividade e fadiga física, constituindo-se para seus familiares em uma sobrecarga financeira e emocional bastante significativas, além da alta taxa de morbidade na primeira infância.

Desta forma é extremamente importante o estudo da doença, principalmente nas regiões onde há uma maior probabilidade de acometimento da população em virtude da colonização e miscigenação entre as raças branca e negra.

A cidade de Paracatu/MG teve uma forte influência dos negros escravos imigrantes do continente africano. A partir de uma amostra de 100 indivíduos, de ambos os sexos, residentes em Paracatu/MG, procurou-se analisar se a freqüência da doença demonstrada pela amostra era superior ou inferior à freqüência nacional.

A metodologia laboratorial utilizada para a análise da amostra foi a eletroforese qualitativa em acetato de celulose.

Os resultados obtidos demosntraram que 70% da amostra apresentou hemoglobina normal. O traço falciforme (AS) apareceu em 6% dos sujeitos analisados. A doença falciforme (SS) se verificou em 2% da amostra.

A estimativa baseada nos dados obtidos da amostra com uma margem de erro de 5% é a de que, aproximadamente 4511 habitantes da cidade de Paracatu sejam portadores do traço falciforme e, que 1504 habitantes manifestem a anemia falciforme.

Finalmente a análise comparativa da freqüência da doença entre a amostra estudada e a freqüência nacional demonstrou que a cidade de Paracatu/MG tende a apresentar uma freqüência relativamente maior do traço falciforme (6%) e anemia falciforme (2%), em relação à freqüência nacional de 2,10% e 0,01%, respectivamente.

Este resultado ratifica a tendência indicada na literatura consultada de uma maior expressividade da doença falciforme em regiões onde houve uma forte miscigenação entre brancos e negros como é o caso da cidade de Paracatu.

Diante do conhecimento da maior probabilidade da ocorrência da doença ou traço falciforme na cidade de Paracatu/MG é recomendável a adoção de medidas preventivas tais como: o desenvolvimento de programas de aconselhamento genético; diagnóstico pré-natal; atividades assistenciais e informativas aos portadores da doença e familiares; realização de testes preventivos para detectar falcemias e talassemias em crianças e gestantes; padronização de diagnósticos e tratamentos e o investimento na formação de profissionais para o atendimento desta população.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GRIFFITHS, A . J. F. et al. Introdução à genética. 6 ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 1998.

NAOUM, P.C.; ALVARES F.; DOMINGOS, C.R.B.; FERRARI, F.;MOREIRA, H.W.; SAMPAIO, Z.A .; MAZIERO, P.A. & CASTILHO, F.M.; Hemoglobinas anormais no Brasil. Prevalência e distribuição geográfica. Revista Brasileria de Patologia Clínica. 23:68-79, 1987.

NAOUM, P.C. Eletroforese, técnicas e diagnósticos. São Paulo: Livraria Editora Santos, 1990.

NAOUM, P.C.; MATTOS, L.C. & CURI, P.R. Prevalência e distribuição geográfica de hemoglobinas anormais no Estado de São Paulo, Brasil. Bol. Of Sanit. Paum, 1984.

RAPAPORT, S.I. Introdução a hematologia. 2 ed. São Paulo: Roca, 1990.

RAW, I.; MORO, A .M. Medicina molecular. São Paulo: Roca, 1999.

THOMPSON, M.W.; MCINNES,R.R.; WILLARD,H.F. Genética médica. 5 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A. , 1993.

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