Até o momento, foram caracterizados 5 vírus causadores dos principais tipos de hepatites virais: A, B, C, D e E. Estes vírus apresentam importantes diferenças entre si, concernentes à estrutura, conteúdo de ácidos nucléicos, vias de transmissão, formas de inativação e evolução clínica dos indivíduos infectados.
Características das hepatites virais A e B
| | Hepatite A | Hepatite B |
| Agente | HAV | HBV |
| Transmissão:- fecal-oral | sim | não |
| - parenteral | não | sim |
| -sexual | não | sim |
| Formas crônicas | não | sim (5%) |
| Triagem:doadores de sangue | não | sim (AgHBs) |
Hepatite A
O vírus da hepatite A (HAV) está presentes nas fezes dos pacientes infectados, na fase aguda da doença, ocorrendo a transmissão por via fecal-oral. Sendo o HAV bastante estável, o contágio pode ocorrer, além do contato entre pessoas, através de água e de alimentos contaminados.
O período de incubação é de aproximadamente 4 semanas. O início dos sintomas é, geralmente, abrupto, mas em crianças a infecção pode ocorrer de forma assintomática. A infecção pelo HAV não evolui para a cronicidade, nem para o estado de portador assintomático do vírus.
Hepatite B
O vírus da hepatite B (HBV) está presente no sangue dos pacientes infectados, sendo sua transmissão principalmente por via sanguínea, através de relações sexuais, de mãe para filho (transmissão vertical) e pela utilização de agulhas contaminadas.
O período de incubação do HBV é entre 6 e 8 semanas, desde a exposição até o aparecimento de sintomas. O HBV está presente no sangue, tanto na fase aguda da doença, como durante o período de recuperação e nas formas crônicas. A maioria dos indivíduos (93%) apresenta recuperação sorológica, bioquímica e clínica, adquirindo imunidade. Entre 5 e 7% dos pacientes apresentam evolução para as formas crônicas da doença, e em torno de 1% dos casos ocorre hepatite fulminante.
Diagnóstico laboratorial
1. Testes sorológicos
A maioria das técnicas utilizadas atualmente emprega o método imunoenzimático ELISA (“ enzyme linked immnosorbent assay”), que apresenta a mesma especificidade e sensibilidade que as técnicas de radioimunoensaio (RIE). Existem outras técnicas, como o nétodo enzimaimunoensaio de micropartículas (MEIA), de alta sensibilidade, comparável ao RIE, e quimioluminescência, que também são utilizadas, com resultados satisfatórios.
Marcadores sorológicos da hepatite A
| Fase aguda | IgM anti-HAV:positivo por 4 meses |
| Cura/Imunização | IgG anti-HAV |
Marcadores imunológicos da hepatite B
Os marcadores mais comumente utilizados para a detecção de infecção pelo HBV são: AgHBs (antígeno de superfície), anti-HBs (anticorpos específicos contra o antígeno AgHBs), anti-HBc
| | AgHBs | anti-HBs | IgM anti-HBc | IgG anti-HBc |
| fase prodômica | presente | ---- | ---- | ---- |
| fase aguda | títulos altos | ---- | presente | ---- |
| fase de recuperação / fase crônica | presente | ---- | ---- | presente |
| fase de recuperação / soroconversação AgHBs | presente | presente | ---- | presente |
| cura / imunidade | ---- | presente | ---- | presente |
| vacinados | ---- | presente | ---- | ---- |
Na evolução para as formas crônicas de hepatite, se o AgHBs persistir por mais de 6 meses, a presença de AgHBe, nestes casos, corresponde a prognóstico de maior gravidade: alta replicação viral com dano hepático.
2. Técnicas de biologia molecular
A PCR (“polymerase chain reaction”) e as técnicas de hibridização passaram a ser usadas de forma rotineira em laboratórios clínicos e bancos de sangue, para o estudo das hepatites virais. Estas técnicas têm sua maior utilização na confirmação diagnóstica da infecção viral em casos duvidosos, na caracterização de soros de referência e, principalmente, no seguimento de pacientes com formas crônicas da doença, submetidos a tratamento. São métodos com alto grau de sensibilidade para detectar a presença de DNA ou RNA pertencentes a estes vírus, tanto no sangue quanto nos tecidos de indivíduos infectados.
3. Métodos bioquímicos
São os exames que permitem avaliar o tipo e o grau de comprometimento hepático. Funcionam como indicadores tanto da evolução natural da infecção para a cura bioquímica ou para a cronicidade, como para monitorar a eficácia terapêutica dos medicamentos.
- Determinação dos níveis séricos de atividade das enzimas: ALT (alanina aminotransferase), AST (aspartato aminotransferase), FA (fosfatase alcalina) e GGT (gama-glutamiltransferase).
- Determinação da concetração sérica de bilirrubinas.
Perfil bioquímico das hepatites (níveis séricos)
| | AST / ALT | FA / GGT | Bilirrubinas |
| Fase aguda | muito elevados | pouco elevados ALT / GGT > 2 | elevados |
| Cura | normais | normais | normais |
| Fase crônica | elevados / oscilantes | ---- | ---- |
Preparo do paciente para a coleta
Recomenda-se jejum de no mínimo 6 horas, pois a ocorrência de lipemia pode interferir nas reações imunológicas.