As recomendações mais recentes sobre avaliação do risco de parto prematuro afirmam: "A determinação ultra-sonográfica do comprimento do canal cervical, o teste da fibronectina fetal (fFN), ou a associação de ambos, podem ser úteis na identificação de gestantes com risco elevado de prematuridade."
Em que porcentagem das gestantes o teste da fFN é positivo?
Para responder essa pergunta, é necessária lembrar que as estatísticas apresentadas e referem-se especificamente a gestantes sintomáticas (com maior riscos) que procuraram atendimento obstétrico.
Entre as gestantes com 24 0/7 a 34 6/7 semanas de gestação , apresentando sinais/sintomas sugestivos de trabalho de parto prematuro, cerca de 80% apresentam teste da fFN negativo (ou seja, níveis de fFN <50 ng/ml na secreção cérvico-vaginal), enquanto 20% apresentam exame positivo.
Como os resultados do teste da fFN devem ser interpretados?
Um teste da fFN negativo em gestantes sintomáticas (de risco elevado), praticamente, exclui a possibilidade de parto prematuro iminente (menos de 1% dessas mulheres, mais especificamente 1 em cada 125, entram em trabalho de parto em um período de 14 dias).
Um teste positivo, por outro lado, está relacionado a parto prematuro nesse período em que apenas 16 das gestantes sintomáticas (1 em cada 6). Dessa forma, a utilidade do exame consiste, principalmente, em seu valor preditivo negativo (124 de cada 125 mulheres com exame negativo não entrarão em trabalho de parto nos próximos 14 dias).
Segundo o American College of Obstetrics and Gynecology, tenho em vista o valor preditivo do exame, o teste da fFN pode ser útil "ao evitar intervenções desnecessárias".
Estudo demonstraram que um exame negativo em uma gestante sintomática está relacionado a uma redução no número de atendimentos por parto prematuro, no período de internação e no uso de tocolíticos. Esses benefícios permitem uma economia significativa de recursos e evita intervenções desnecessárias, minimizando os eventos adversos nessas pacientes.
"A mesma entidade recomenda a realização do teste da fFN apenas em gestantes sintomáticas (de risco elevado) entre 24 0/7 semanas e 34 6/7 semanas."
O exame pode ser recomendado para gestantes assintomáticas?
A utilização do teste da fFN em populações de baixo risco (assintomáticas) foi investigada e pode ser útil.
O valor preditivo negativo é bastante elevado, de modo que mais de 99% das pacientes com exame negativo não apresentarão parto prematuro em um período de 7 dias.
Entretanto, os valores preditivos positivos do exame para parto prematuro espontâneo em gestantes assitomáticas entre a 22ª e 24ª semana de gestação, antes da 28ª e 37ª semana de gestação, são de, apenas, 13ª e 36ª, respectivamente. |